O filme “Lula, o Filho do Brasil”, que estreou dia 8 de janeiro nos cinemas, leva às telas a saga do ex-metalúrgico que hoje é presidente da República.
Atualmente, Lula é o presidente com o maior índice de aprovação da História (70% entre “bom” e “ótimo”, segundo o Datafolha). E com o filme, a aura de herói do pernambucano seria construída e imortalizada.
Publicações como a revista Rolling Stone e o jornal The New York Times abordaram o filme de Fábio Barreto sob uma ótica política, e não de entretenimento (como assim deseja seu diretor).
Mas há fatores a serem considerados quando se torna pública e universal uma história como a de Lula:
- Para o bem ou para o mal, o atual presidente tem uma trajetória de vida fantástica e semelhante à de muitos brasileiros (todo mundo assistiu a “Senhora do Destino”, correto?): foi criado pela mãe, saiu do sertão de Pernambuco rumo a São Paulo em um pau-de-arara, formou-se Torneiro Mecânico pelo SENAI, e foi o representante maior do sindicalismo no ABC na época da ditadura (tanto é que a região da Grande São Paulo só ficou nacional e historicamente conhecida após o discurso do barbudo no Estádio 1º de Maio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo);
- Um terceiro mandato, seguido, é inconstitucionalmente inviável, e não há mais tempo – nem argumentos – para mudanças na Carta do país;
- “O cara” é carismático, isso não se pode negar!
Com as eleições presidenciais batendo na porta, a aposta do Partido dos Trabalhadores (PT) é a Ministra da Casa Civil Dilma Roussef. Também com uma baita história de vida (militante política e torturada pela ditadura), mas, no entanto, sem a força de Lula, mesmo que ele demonstre apoio incondicional em qualquer canto do país e do mundo.
Mesmo assim, o “filho do Brasil” não teria força marketeira suficiente para mudar o resultado das eleições. Se conseguisse, voltaríamos ao tempo do voto de cabresto. Afirmar que um filme comercial mudaria os rumos políticos de um país é errôneo e simplista. Charme e uma mega bilheteria não compram voto, e o brasileiro, aos poucos, está aprendendo com os erros do passado.
Por: Paula Franco




