Este é um blog idealizado por estudantes de jornalismo do segundo semestre na Universidade Metodista de São Paulo. O objetivo dele é mostrar às pessoas a constante evolução das mídias em geral, do jornalismo, dos jornalistas, e, por consequente, da sociedade.

domingo, 26 de abril de 2009

Textos e Opiniões

Por mais que a maioria pense que a função do jornalista é ser imparcial ao relatar fatos, isto não é verdade. Todo texto tem opinião, a qual pode ser explícita ou estar nas entrelinhas, tudo depende de como o autor quer ser visto.
O texto abaixo deixa clara a opinião da Rosely Sayão, psicóloga que escreve para o caderno Equilíbrio, da Folha de São Paulo: os meios de comunicação, muitas vezes, atrapalham a reunião familiar na hora das refeições.


Refeição em família
Os meios de comunicação, devidamente apoiados por informações científicas, dizem que alimentação é uma questão de saúde. Programas de TV ensinam a comer bem para manter o corpo magro e saudável, livros oferecem cardápios de populações com alto índice de longevidade, alimentos ganham adjetivos como "funcionais". Temos dietas para cardíacos, para hipertensos, para gestantes, para idosos.
Cada vez menos a família se reúne em torno da mesa para compartilhar a refeição e se encontrar, trocar ideias, saber uns dos outros. Será falta de tempo? Talvez as pessoas tenham escolhido outras prioridades: numa pesquisa recente sobre as refeições, 69% dos entrevistados no Brasil relataram o hábito de assistir à TV enquanto se alimentam.
Uma criança de nove anos disse uma coisa interessante: para ela, o horário do recreio deveria ser maior porque tomar o lanche demora e, com isso, há menos tempo para brincar. Aí está: lanchar com os colegas não tem, para essa e muitas outras crianças, o caráter de prazer; parece ter uma ligação mais estreita com outras obrigações escolares.
Aliás, tenho observado a dificuldade que muitas crianças têm de falar com adultos e pares olhando para seu interlocutor. Elas falam e olham para o lado, para baixo e até para além da pessoa com quem conversam, mas o olho no olho parece ser desagradável, difícil para elas. Talvez seja porque estão acostumadas a olhar para a TV ou para o jogo enquanto conversam com os pais.
O horário das refeições é o melhor pretexto para reunir a família porque ocorre com regularidade e de modo informal. E, nessa hora, os pais podem expressar e atualizar seus afetos pelos filhos de modo mais natural, além de construir o ambiente acolhedor que permite aos mais novos perceber com clareza que aquele é seu grupo de referência e de pertencimento. Numa época em que os rituais estão em desuso, as refeições em família são um excelente momento para transmitir tradições familiares aos filhos: quais alimentos aquela família prefere e quais são os seus modos usuais de preparação, como se comporta à mesa, quais assuntos costuma abordar durante a refeição, o tom de voz usado, como os membros se tratam. Tudo isso é apreendido pelos mais novos, que podem encontrar seu modelo de identificação familiar e ter contato com o conhecimento construído pelas gerações anteriores da família. O horário das refeições também pode servir para que contradições, diferenças e conflitos entre pais e filhos surjam de modo polido, para que os filhos saibam mais sobre a rotina profissional dos pais e para que estes ouçam sobre a vida escolar e social dos filhos sem cobranças.
Por que estamos nos tornando comedores solitários? Por que aceitamos a ideia de que o alimento é mais importante em seu aspecto nutricional do que social? Por que a TV e o computador são nossas companhias preferidas no horário das refeições? Pelo jeito, temos muito a refletir sobre esse assunto.
Um exemplo mais sutil, no qual o jornalista toma um partido, mas passa despercebido pelo leitor:
Manchete da Folha Online:
MST invade fazenda de Daniel Dantas no interior do Pará
e a mesma notícia dada pela Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão:
MST ocupa fazenda de Daniel Dantas no Pará
Uma simples troca de verbo pode mudar a intenção daquilo que é passado.
Não se deixe enganar, há sempre um ponto de vista impregnado nos textos, só que, às vezes, é preciso um pouco mais de atenção para não deixá-lo passar.
Por Caroline Garcia

sábado, 25 de abril de 2009

Diploma?... Pra Quê?


Por que um médico para atuar precisa estudar no mínimo 6 anos? Por que um advogado precisa conhecer a constituição? Por que um engenheiro precisa estudar tanto as ciências exatas? E por que um jornalista precisa de diploma? Lendo estas perguntas, nos parecem óbvias as respostas. Não quero aqui comparar, é lógico que um médico necessita desses anos de dedicação para então poder atuar. Da mesma forma as outras profissões aqui citadas, inclusive a nossa de jornalista.

Acredito e defendo que seja necessário sim o diploma e principalmente manter-se a profissão devidamente regulamentada, como todas as outras. Como é possível que alguém graduado em arquitetura, por exemplo, possa ingressar no jornalismo, sem conhecimento algum na área de comunicação? O jornalismo é o canal pelo qual a sociedade se informa nos mais variados assuntos. O jornalista busca nas fontes especializadas, tendo o papel de extrair o máximo de informações necessárias para transmitir ao seu leitor, telespectador ou ouvinte.

A arte da comunicar,fatos tem que ser feita com propriedade, por alguém que dedicou anos da sua vida no aprimoramento da função. Ora, é colocado em questão a liberdade de expressão, em que a necessidade do diploma a restringe, mas não pode haver comunicação de qualquer forma. Defende-se que, quem tem o exercício de comunicar, tem o poder de formar opiniões, e como podemos permitir a banalização de algo tão importante para a sociedade?

O dever do jornalista, acredito, seja ir atrás dos fatos, apurá-los, ouvir pontos de vistas diferentes, daí se encaixa a liberdade de expressão, pois a sociedade absorve as informações transmitidas de forma transparente. Manter o diploma da profissão, é manter também a ética, os valores e principalmente a responsabilidade. É preciso estar ciente do seu papel e compromisso com a sociedade.

Por Tâmara Magalhães.

domingo, 19 de abril de 2009

Entrevista com o psicólogo Breno Silva Rosostolato.

Breno Silva Rosostolato é formado em psicologia pela Universidade São Judas Tadeu, pós-graduado em arte-terapia e hipnose pela PUC e especializado em sexualidade humana. Atualmente trabalha nas clínicas Psicoblue e Sallus na cidade de São Bernardo do Campo. Na entrevista ele aborda o ponto de vista psicológico do Caso Isabella, vale a pena conferir.


video

Por Ariel Gerbelli

terça-feira, 14 de abril de 2009

O Mundo da Televisão

Crédito foto: Camila Bevilacqua
O mundo da televisão é algo fascinante.Consegue encantar a todos, principalmente quando se trata de programas "ao vivo".Todos nós perguntamos como a imagem chega até nossas casas, como transmitem-se programas no meio da rua, o que fazer quando algo sai errado... Por isso, nós, da Vitrine da Notícia, entrevistamos o operador de aúdio do programa MTV na Rua, André Luiz Vassiliades, que trabalha há 17 anos no canal MTV.

VN: Quais as dificuldades de se gravar um programa ao vivo?
ANDRÉ: Um programa "ao vivo", quando feito em estúdio, nos apresenta as mesmas dificuldades de um programa gravado na questão de montagem e teste de equipamentos (microfones, câmeras, e tudo mais que o programa exigir). Apesar de um programa ao vivo exigir muito mais atenção de toda a equipe técnica e de produção, em estúdio é sempre mais "seguro e confiável" do que em "externa", pois os equipamentos de transmissão, de 'no-breakes', gerador auxiliar, etc, estão sendo monitorados por seus respectivos técnicos. Num programa ao vivo em externa, obviamente, as dificuldades são bem maiores pois a transmissão é feita localmente e está sujeita às condições da locação. Uma Unidade Móvel (U.M.) é como uma "mini-tv ambulante", só que com menos equipamentos e técnicos, daí sua dificuldade e riscos.

VN: Se ocorrerem problemas com a gravação ao vivo, há como corrigi-los na hora? Como
ANDRÉ: Ao vivo, se ouver algum problema, imediatamente ele é "percebido" pelo telespectador, porém existem muitos problemas que ocorrem mas que não são "percebidos" para quem assiste, ainda assim tentamos os resolver o mais rápido possível. Por isso, quando ao vivo, sempre temos que ter alguns equipamentos de "stand-by": microfones a mais, câmeras, pontos eletrônicos, etc. Assim, caso falhe algum equipamento, ele tem que ser trocado na hora, e assumimos a aparição de alguém entrando no set e trocando o microfone com o apresentador. (Por exemplo, no final do BBB9 o microfone do Bial falhou e teve que ser trocado por outro, que falhou também, e então por um terceiro microfone. E por isso, como dizemos em tv, o Bial "ficou mascando chiclete", ou seja, ele mexia a boca mas ninguém ouvia nada.) Mas lembrando que estamos sempre sujeitos a falhas de equipamento que podem "tirar o programa do ar temporariamente", ou mesmo "derrubar o programa".

VN: Como as imagens vão para a emissora?
ANDRÉ:No caso de uma externa, o áudio e vídeo captados pelos equipamentos vão para um transmissor portátil localizado na U.M. e, pela antena parabólica, o sinal é enviado para um satélite que o reenvia para o transmissor principal na sede da MTV, e só então vai para o AR. Por causa deste "caminho do sinal", ele chega aos lares com uns 2,5 segundos de "atraso" em relação ao programa em tempo real.

VN:Como os locais da gravação são escolhidos?
ANDRÉ: As locações são escolhidas pela produção e pelo aconselhamento de um técnico de transmissão. A locação precisa ter bom espaço para o set, precisa que a antena parabólica não tenha obstáculos (árvores, postes, marquises, etc), precisa ter bom acesso ao público (metrôs, ônibus, espaços conhecidos, etc), e claro, precisa que a sub-prefeitura local autorize o evento. O set do MTV na Rua, mais a U.M., o caminhão de gerador e os carros de apoio, necessitam de um espaço mínimo de uns 800m², mais ou menos.

VN: Você é formado em que área?
ANDRÉ: Não sou formado. Creio que a maioria das pessoas da equipe técnica não são formados nesta área, e aprendem a profissão "na raça". No caso do departamento de produção, creio que mais da metade é formada.

VN: Como você entrou na MTV?
ANDRÉ: Em televisões "chovem currículos", mas o "Q.I." é o que prepondera, ou seja, "Quem Indica". E foi desta forma que entrei para a MTV em 1992. Antes disso eu era gerente de livraria...

Por Laís Colombini

domingo, 12 de abril de 2009

Entrevista com a Jornalista Alessandra Kormann (Jornal Agora)

Alessandra Kormann é colunista do Jornal Agora e empresária. Trabalhou sete anos na Folha de S.Paulo, nas editorias Brasil, Especias, Agência Folha, Revista da Folha e Folhateen.
Entrevista publicada na Revista da Hora do dia 05/04/09.
http://www.agora.uol.com.br/show/ult10111u548094.shtml


VN:Você acha que o uso da internet para fazer trabalhos torna os jovens alienados ?
Alessandra Kormann: A internet é mais uma fonte de informação e não tem poder de tornar alguém alienado. O importante é o uso que se faz dela. Se um estudante faz um trabalho usando o famoso "copiar e colar", sem ao menos se dar ao trabalho de ler o que está escrito, é óbvio que ele não aprendeu nada.
Da mesma forma, se um estudante copia tudo o que está escrito em uma enciclopédia sem prestar atenção, não vai adiantar muita coisa.
O problema da internet é que existem muitos sites que não são confiáveis, com informações erradas. Por isso, só pesquise em fontes seguras, como universidades, jornais, grandes portais etc. A internet pode abrir infinitas portas para o conhecimento.

VN:Na sua opinião, o aumento da pedofilia tem relação com o mau uso da internet?
Alessandra Kormann: Em relação à pedofilia, não sei dizer se houve um aumento no número de ocorrências ou de casos solucionados. OS pedófilos sempre existiram. O que mudou com a internet é que em muitos se sentem mais à vontade para comenter esses crimes, já que a rede passa a sensação de que ninguém vai saber o que vc anda fazendo. Mas isso é mentira, como mostram os vários casos esclarecidos com provas encontradas na rede.

VN:O jornal impresso pode perder lugar para os sites de notícias?
Alessandra Kormann: Finalmente, não acredito que o jornal impresso vá perder seu lugar. Da mesma forma que a TV não acabou com cinema ou o rádio. Os leitores sempre vão procurar nos jornais fontes confiáveis de informação e de opinião.

Por Ariel Gerbelli.